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Atitude saudável
01/07/2019 Maior parte dos casos de violência contra idosos ocorre nos lares

Mais de 60% dos casos de violência contra idosos ocorrem nos lares. Este dado foi apresentado pela pesquisadora emérita da Fiocruz Cecília Minayo, durante palestra realizada em Brasília e intitulada Violências contra a pessoa idosa e estratégias para reduzi-las.

Maior parte dos casos de violência contra idosos ocorre nos lares

O número, que assusta, assim como a informação de que dois terços dos agressores são filhos, que agridem mais que filhas, noras ou genros e cônjuges, nesta ordem. “Os idosos quase não denunciam, por medo e para protegerem os familiares”, disse Cecília Minayo.

Conforme noticiou a Agência Fiocruz de Notícias, em sua palestra a pesquisadora revelou que normalmente os agressores vivem na casa com a vítima, são filhos dependentes do idoso e idoso dependente dos familiares, filhos ou idosos que abusam de álcool e drogas, pertencem a famílias pouco afetivas ao longo da vida e isoladas socialmente. Entre as vítimas de violência estão idosos que tiveram comportamento agressivo com a família ao longo da vida e famílias com histórico de violência.

Envelhecimento da população

O envelhecimento da população tem ocorrido de forma acelerada no Brasil. A população nacional tem, atualmente, mais de 30 milhões de idosos. Por ano, mais de 600 mil pessoas, em média, passam a integrar esta parcela da sociedade.

Nos últimos 30 anos, a população de 60 anos cresceu 21,6%, e com mais de 80 anos, mais de 45%; 85% da população brasileira idosa é considerada saudável, de acordo com as informações apresentadas.

Em 1950, a média de idade dos brasileiros era de 50 anos, e, atualmente, 76. As mulheres têm expectativa de vida maior que a dos homens (79 e 74 anos, respectivamente), que, só não é maior devido à violência.

“As mulheres são mais vulneráveis em casa e os homens, mais agredidos na rua. De ambos os sexos, os mais vulneráveis são os dependentes sociais, física ou mentalmente, sobretudo os que sofrem alterações do sono, incontinência, dificuldades de locomoção e necessitam de cuidados constantes”, alertou Minayo.

Tipos e natureza da violência

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como violência ou maltrato contra o idoso o ato (único ou repetido) ou omissão que cause dano ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança. Entre os principais tipos de violência contra a pessoa idosa, segundo Minayo, estão a estrutural (relacionada à miséria, deixar a pessoa morrer), interpessoal (do cotidiano, família, comunidade, nas relações), institucional (produzida pelos profissionais da saúde, assistência social, instituições em geral) e simbólica (desprezo, menosprezo).

Quanto à natureza, as principais expressões da violência são: física, psicológica, sexual, econômico-financeira-patrimonial, negligência e autonegligência. As denúncias feitas pelo Disque 100 indicam que a violência psicológica tem percentual mais alto que a violência física. Entre as queixas feitas pelos idosos, ela ressalta a perda de autonomia e o abandono.

Um aspecto positivo ressaltado pela pesquisadora é a consciência mais clara do direito da pessoa idosa, do dever da sociedade e a própria postura da pessoa idosa, que tem buscado seus direitos e denunciado essas situações.

Para Minayo, o envelhecimento não deve ser considerado um problema, e sim um bônus social, visto que os idosos brasileiros na sua maioria (cerca de 85%) são ativos, trabalham, consomem, movimentam a sociedade ,a economia, e participam da política. “Como pessoas ativas, os idosos continuam atores sociais relevantes, mas o envelhecimento, como todo o fenômeno social, precisa ser compreendido e tratado pela sociedade, famílias e pelo Estado de forma abrangente, e não como um projeto pontual ou como grupo descartável em favor de quem quer que seja”.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

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