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10/12/2018 Doulas: afeto, vínculo e confiança na gestação

Afeto, vínculo, confiança, bem estar. Se isso tudo é importante em momentos e situações corriqueiras e já conhecidas, imagina durante a gravidez, fase de mudanças, descobertas, transformações e, muitas vezes, também insegurança, ansiedade e dúvidas. Pois é justamente pelo caminho do afeto, do vínculo e da confiança que segue o trabalho de uma doula.

Doulas: afeto, vínculo e confiança na gestação

A palavra doula vem do grego e significa “mulher que serve”. “Deslocando este sentido para o contexto dos eventos que cercam o nascimento, a doula é uma profissional capacitada, que acompanha a gestante durante boa parte da gravidez, disponibilizando informação, exercícios preparatórios, escuta e apoio, tanto emocional quanto físico, além de oferecer suporte contínuo no trabalho de parto, parto e pós-parto imediato”, explica Flávia Penedo, doula e educadora perinatal.

Por suporte contínuo, explica Flávia, entende-se todo tipo de cuidado com o bem estar da mulher, como verificar se ela está com frio, com calor, com sede etc., auxílio com métodos não farmacológicos de alivio da dor, encorajamento, cumplicidade e uma presença constante, vigilante e amorosa durante todo o processo. Segundo ela, o foco é total no bem estar da mulher e do parceiro desde toda a preparação para a chegada do bebê ao início do puerpério.

“Justamente por não ser um momento fácil, em geral carregado de medos, ansiedade, além da imensa intensidade presente no trabalho de parto em si, a presença da doula costuma ter um impacto muito positivo. No acompanhamento pré-natal, durante as consultas, há muita conversa, esclarecimento de dúvidas, alinhamento de expectativas, além de um acolhimento enorme de todos os receios, estados emocionais, cansaço e quaisquer outras coisas que surjam pelo caminho. Isso já vai criando um laço forte entre a doula e a mulher e também com o/a parceiro/a, formando vínculo e confiança para viver um momento tão íntimo”, detalha Flávia.

Estudos já realizados apontam que a presença de uma doula no parto reduz significativamente os pedidos de analgesia, os índices de cesárea, outras intervenções, como ocitocina sintética, por exemplo. Além de aumentar a sensação de bem estar da mulher em relação ao parto e também no puerpério. Mas para que isso tudo possa, de fato, ser realidade, é importante que haja sintonia e interação com a equipe médica.

Flávia destaque que doulas e equipe médica têm papéis distintos. “Emquanto a equipe está ocupada das questões técnicas a respeito da evolução do trabalho de parto, a doula se ocupa do bem estar e do conforto da parturiente, propondo posições, respirações, massagens, apoio em todos os níveis”.

Ela explica, também, que a doula jamais deve se colocar como antagonista ou questionar condutas médicas. “Mas por ser também conhecedora da fisiologia do parto, muitas vezes atua em conjunto com a equipe, ajudando a perceber qual o melhor momento de ir para o hospital, observando a dinâmica uterina através da contagem das contrações e também propondo e realizando exercícios, que podem ajudar na descida e melhor posicionamento do bebê”, diz.

No Rio de Janeiro, A Secretaria de Estado de Saúde (SES), não oferece o atendimento de doulas, mas as grávidas podem ter acesso a ela. Nas unidades da rede estadual o acompanhamento delas é permitido. Mais do que isso, a equipe de apoio da Humanização da SES vem sensibilizando as direções das unidades e os profissionais para, cada vez mais, aceitarem e integrarem o trabalho das doulas. Isso vem sendo feito através do GT maternidade que a equipe da SES realiza nas maternidades.

Uma experiência pessoal

A Flávia, que ouvimos na matéria, se tornou doula pela experiência da própria gestação. Uma experiência que dividiu conosco. “Engravidei em 2014 e, na busca por um parto respeitoso, me envolvi muito com grupos de apoio, busquei uma equipe atualizada e contei com o acompanhamento de uma doula. O processo de gestação e parto foi, pra mim, uma imensa revolução pessoal, e, posteriormente, também profissional”, conta.

Flávia já trabalhava há muitos anos como massoterapeuta e terapeuta holística e, após uma pausa de quase um ano, o retorno ao trabalho lhe trouxe um público formado principalmente por mulheres, puérperas, mães e também gestantes. Neste mesmo período de retorno ela começou uma formação em Educação Perinatal que durou um ano e meio e logo depois a formação de Doula.

“Já atuo há três anos e considero que encontrei minha verdadeira vocação. Para mim, é uma grande oportunidade de reunir tudo o que aprendi em todos os cursos que fiz voltados ao cuidado, ao equilíbrio emocional e às práticas físicas e corporais. É também um aprendizado constante sobre a singularidade de cada mulher com quem convivo e de cada parto que tenho o privilégio de acompanhar, um profundo exercício de afeto. Tenho certeza que isso é solo fértil para o desenvolvimento de indivíduos mais saudáveis e felizes a longo prazo”.

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