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Dia Mundial da Segurança do Paciente tem celebração ecumênica 21/09/2021 Dia Mundial da Segurança do Paciente tem celebração ecumênica Evento no Auditório da SES reúne líderes religiosos e debate sobre Cuidado Materno e Neonatal Seguro, tema escolhido pela OMS para a campanha deste ano


"Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro". Paulo Maltz, diretor do diálogo inter-religioso da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, usou em sua fala a expressão escrita nos livros sagrados que enfatiza o valor da vida e a importância em cuidar do outro. E foi este o objetivo do evento realizado pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) em homenagem ao Dia Mundial da Segurança do Paciente (17 de setembro).

O encontro aconteceu no prédio da SES-RJ, e contou com a presença do secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, da subsecretária adjunta, Claudia Mello, e dos líderes religiosos Ivanir dos Santos, professor e babalaô, Adriana Martins, mãe de santo e integrante do Movimento da Mulher Negra, e Paulo Maltz, diretor do diálogo inter-religioso da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro.

O secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, abriu o evento ressaltando a importância de oferecer um serviço de qualidade para a população. “Tão importante quanto o acesso, e acesso é extremamente importante, é a qualidade na assistência. Quando falamos em segurança do paciente, estamos falando em qualidade assistencial, cuidado com o próximo, infecção, agravos, e complicações relacionadas com o processo assistencial. Estas questões são de extrema importância”.

Para Claudia Mello, "hoje era o dia de dizer que a segurança é a busca para reduzir males evitáveis". A profissional apresentou o Comitê Estadual de Segurança do Paciente, que tem a finalidade de promover ações que visem à melhoria da segurança do paciente. “Suas principais competências são elaborar e acompanhar a implementação do Plano Estadual de Segurança do Paciente (PESP) e propor e validar, em caráter complementar, protocolos, guias e manuais referentes à segurança do paciente”, explicou a Dra Claudia. Ela também falou sobre o tema deste ano - Cuidado Materno e Neonatal Seguro – e a urgência em melhorar os dados de morte materna no país.

“No mundo, 830 mulheres morrem todos os dias por causas evitáveis relacionadas à gravidez e ao parto. Além disso, 2,5 milhões de recém-nascidos vêm a óbito por ano, o que representa 47% de todas as mortes de menores de 5 anos. As complicações responsáveis por mais de 70% das mortes maternas são hemorragias, infecções, abortos inseguros, eclampsia e parto distócico. O sofrimento das famílias causado pelas perdas prematuras de mães e de bebês é imenso”.

A Dra. Maria de Lourdes de Moura, Coordenadora Estadual de Segurança do Paciente da SES-RJ, lembrou que o estado do Rio de Janeiro foi pioneiro na discussão da segurança do paciente. “Este é um convite para os profissionais refletirem sobre o tema. Se as pessoas não tiverem consciência que a segurança do cidadão é um direito, esta questão não vai avançar. Se a gente quer que em setembro de 2022 estes números tenham mudado, a gente precisa trabalhar muito para melhorar os dados”.

Oriundo de uma família de parteiras, Ivanir dos Santos, falou sobre a tradição de passar o conhecimento ancestral por gerações, citou o racismo estrutural existente no sistema de saúde e agradeceu aos profissionais de saúde que cuidaram dele quando ele teve Covid-19. “Quando a gente fala de morte materna, a gente precisa refletir sobre as mulheres negras que são as que mais morrem por complicações no parto. Mas, quero aproveitar este momento para dizer que no fim do ano, fiquei 13 dias no CTI, porque tive Covid-19, e percebi que o médico é importante, mas, tão importante quanto ele, é a equipe. O enfermeiro, o técnico, o fisioterapeuta, o psicólogo e as pessoas da faxina. Como paciente, quero agradecer a todos pelo carinho”.

Paulo Maltz trouxe uma filosofia da comunidade judaica, conhecida por ter uma grande preocupação com a saúde. “Tanto que está escrito no livro sagrado, o Torá, que quem salva uma vida, salva toda uma humanidade. Agora, com a pandemia, os profissionais de saúde estão sendo vistos como sempre deveriam ser tratados”.

Por fim, a mãe Adriana Martins lembrou de uma situação pessoal que corrobora a importância de debatermos formas de reduzir o número de mortes maternas. “Essa campanha é muito importante. Eu como uma mulher negra, há 22 anos, eu tive um filho e durante a gravidez, a minha pressão foi normal, no dia do parto, a minha pressão foi a 18/22. Eu não escutava mais nada e só via tudo escuro, mas consegui voltar e estar aqui hoje. Muitas mulheres negras têm problemas no atendimento e isso gera insegurança. Por isso, torço para que essa campanha tenha muito sucesso”.

O evento terminou com a bênção ecumênica dos líderes religiosos e um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Covid-19.

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