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Luta e Fuga: as reações do corpo ao medo 31/10/2020 Luta e Fuga: as reações do corpo ao medo Mecanismos de proteção são acionados em nosso organismo diante de situações de perigo

Você está sozinho em casa, ouve passos na cozinha, o ranger da porta do banheiro gera arrepios, um som vem dos fundos da área de serviço. Poderia ser o vento, mas não há janelas abertas, não há vento lá fora. Os passos ritmados poderiam ser apenas o vizinho de cima, mas já é madrugada e não há ninguém acordado. De repente você sente um vento frio na nuca. O medo de olhar pra trás, de descobrir o que foi aquele vulto, de levantar da cama no meio da noite. Quem nunca se sentiu paralisado, sem coragem de reagir e, ao mesmo tempo, atento a qualquer barulho mínimo?

Pois é, o medo está presente em nossas vidas desde a infância e é despertado por situações das mais variadas. E, nesse 31 de outubro, data em que é celebrado o Halloween, ou o Dia das Bruxas, como muitas vezes é chamado no Brasil, conversamos com o psiquiatra Pedro Arcoverde, do Centro de Psiquiatria do Rio de Janeiro, unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

E, a primeira pergunta que buscamos responder é: porque sentimos medo? Porque esse sentimento, tão desagradável para alguns, consegue gerar tanto fascínio em outras pessoas?

O psiquiatra nos explica que o sentimento do medo tem uma função protetiva, desencadeando respostas no corpo que buscam nos proteger de um perigo imediato. “O medo ativa um estado na nossa mente que é um estado de alerta em que nós passamos a prestar mais atenção nas coisas que estão à nossa volta, nos permitindo ter respostas rápidas. Ele também, dependendo da intensidade, vai ativar reações no nosso corpo. Quando temos medo, nós liberamos adrenalina e essa adrenalina vai causar alterações que nos preparam para enfrentar o perigo. Nós chamamos de reação de luta ou fuga e vai causar muitas alterações no nosso corpo”, afirma Pedro.

Essas alterações geradas pela reação de luta e fuga envolvem a aceleração do coração, buscando enviar mais sangue aos músculos, que ficam assim preparados para lutar ou fugir. Da mesma forma, acontece uma redistribuição do sangue no corpo, com maior irrigação sanguínea para os grandes grupamentos musculares, levando menos sangue a músculos menores e menos essenciais à luta ou à fuga. Por isso, as mãos, por exemplo, podem ficar mais frias, enquanto o peito e a coxa ficam mais quentes. Outra reação envolve um aumento do suor, garantindo que o corpo fique mais refrescado. Por fim, podemos sentir uma inquietação, uma vontade de correr, gerada por esse estado de prontidão para a defesa, para a luta ou a fuga diante do perigo.

E todo esse processo está relacionado a alguns neurotransmissores liberados nas reações de resposta ao medo. Esses compostos químicos, que servem como mensageiros, levando informações a diversas partes do corpo, ajudariam a explicar, também, porque muitas pessoas sentem prazer diante do medo e gostam desse sentimento.

“Quando nosso corpo entra no estado de resposta ao medo, nós liberamos uma série de neurotransmissores, substâncias que vão preparar a mente e o corpo para reagir àquela situação de perigo. Por exemplo, a adrenalina, que vai energizar o corpo e deixar a gente num estado de euforia, de uma sensação agradável, como acontece também no exercício físico. Nós também liberamos dopamina e endorfina, que ajudam o corpo a se manter calmo e anestesiado em uma situação de perigo. A dopamina, em particular, é um neurotransmissor ligado ao prazer, então muitas pessoas gostam de se expor a situações de perigo controladas pra liberar essas substâncias e curtir a sensação que elas trazem”, destaca o psiquiatra.

Mas, se por um lado o medo pode ser uma sensação agradável para alguns, para outros ele pode se tornar um problema. Diversas são as patologias ligadas ao medo e que merecem atenção.

“O medo deixa de ser saudável quando ele se torna excessivo. Uma das principais patologias ligadas ao medo é a síndrome do pânico. Um dos componentes dessa síndrome envolve sentir medo e ter as reações de luta ou fuga, de forma inesperada, sem que saibamos de onde ela veio e que podem ocorrer várias vezes ao longo do dia”, explica Pedro.

O medo nas crianças também pode merecer atenção dos pais e responsáveis, já que elas apresentam uma imaturidade emocional e não compreendem bem as sensações que estão tendo. Nesse sentido, as crianças podem apresentar respostas de afastamento, querendo evitar o local que elas já tiveram medo e podem também demandar mais proximidade dos pais. Pedro nos orienta que “a melhor forma de ajudar uma criança a lidar com o medo é fazê-la reconhecer que está tendo medo, que isso é uma reação natural dela e que você vai estar lá para ajudar a passar por isso e ajudá-la a se acalmar, muitas vezes por meio do contato e do afeto.”

Mas, deixando de lado os fatores de alerta diante do medo, Pedro sinaliza que ele é um sentimento normal em nossa vida, uma reação de proteção diante de algo momentâneo, e que devemos aprender a lidar com ele. “Nós temos que aceitar que o medo faz parte da vida, que ele é uma reação que está acontecendo naquela hora e que ele vai passar. E que nós podemos sim ter controle do corpo. E para isso tem técnicas. Técnicas de respiração, técnicas de aceitação da sensação que está vindo, como são as técnicas de mindfulness e outras técnicas de relaxamento que podem ser usadas enquanto o medo está ali sendo processado e uma hora ele vai passar”. 

Acompanhe também a nossa matéria especial de Halloween no podcast Saiba Saúde: https://spoti.fi/3jP5MkN

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