Fechar rede
Siga-nos
Governo do Estado do Rio de Janeiro
Menu
Home Busca Menu Redes
Bloco Loucura Suburbana provoca um “surto” de alegria no desfile que marcou 20 anos da agremiação 21/02/2020 Bloco Loucura Suburbana provoca um “surto” de alegria no desfile que marcou 20 anos da agremiação Apresentação aconteceu nas ruas do Engenho de Dentro e integrou pacientes com transtornos mentais e a comunidade

Colocar um desfile na rua, com todos os detalhes que se exige a folia, é uma loucura. Imagina isso para pessoas com transtornos mentais que há duas décadas faz desse ofício um movimento de integração com a comunidade. Na quinta-feira (20/02), o Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana saiu pelas avenidas do Engenho de Dentro e apresentou sua arte num desfile bem-humorado, contribuindo para transformar o preconceito contra a loucura em admiração. O modelo de integração e cidadania tem o apoio do coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde, Daniel Elia, que participou da festa.

O ritmo do desfile foi ditado pela bateria “A Insandecida” e amigos, que ao longo da apresentação pelas principais ruas do bairro, chamou a atenção do público. O tema deste ano foi Amazônia. Os componentes e os moradores da localidade, com fantasias de índio, palhaço e presidiário, cantaram o samba-enredo “Loucura que afeta todos nós”, de Michel Indiano, que teve concentração e saída do Instituto Municipal Nise da Silveira.

De acordo com Daniel Elia, a experiência de integração psicossocial com o território em que as pessoas convivem deve ser estimulada.

“A festividade é o auge da relação de cuidado, como estamos presenciando neste desfile. No ano passado, a Secretaria investiu R$ 29 milhões no cofinanciamento dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) no estado. Este ano, a previsão é de R$ 60 milhões, incluindo também as unidades de reabilitação, em que pretendemos levar essa experiência além muro, que é saudável”, frisou Daniel.

Kátia Cilene da Costa Alves, de 52 anos, que sofre de síndrome do pânico com transtorno bipolar, era só alegria ao desfilar no Loucura Suburbana.

“Todos nós temos problemas, mas ao chegar aqui descobrimos que ele pode não ser tão grande assim, comparando-se com outras pessoas. O desfile é um motivo para sair da cama e seguir em frente, pois representa uma ajuda mútua e de relacionamento com o outro”, atestou Kátia, moradora de Água Santa.

Fiel há duas décadas ao Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana, Isabel Cristina, de 52 anos, resume a sua participação: alegria.

“Espero todo ano este momento de coroação e que representa também uma realização. A comunidade abraça o bloco numa integração perfeita. Estou surtada de alegria”, finalizou a moradora de Marechal Hermes.

Fundadora do bloco, a psicóloga Ariadne de Moura Mendes disse que a agremiação revitalizou o bairro e que o Loucura Suburbana tira as pessoas de seu conforto para refletir o tema.

“Ainda existe um estigma com relação à loucura. O desfile é a celebração de um trabalho feito ao longo do ano que tem por finalidade integrar as pessoas junto à comunidade. Isso só a cultura é capaz de realizar ao ampliar o padrão de loucura com o dito normal”, explicou Ariadne.

Loucura Suburbana já recebeu vários premiações

Desde a sua criação, quando resolveu rompe os muros do hospício do Instituto Municipal Nise da Silveira e usar a maior festa popular brasileira, o Carnaval, como motivação, o Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana começou a colecionar premiações. Foram dois prêmios concedidos pelos Ministérios da Cultura e da Saúde (2008 e 2010) e duas vezes o Prêmio Serpentina de Ouro, do jornal O Globo (categoria Destaque, em 2013, e Organização, em 2016).

O Instituto Municipal Nise da Silveira oferece ainda espetáculos para seus membros, sala de dança, barracão de fantasias, oficinas de musicais, ateliê, etc.

 

Quer ver mais conteúdos em Notícias?
Telefones úteis