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11/07/2019 Azevedo Lima recebe visita de bebê que ficou internada seis meses na UTI Neonatal Unidade Estadual tem maternidade referência em gravidez de alto risco

Rosineide e Alice

É preciso olhar no detalhe o quão invisível é a realidade de milhares de mulheres que vivem gravidez de risco. E é pela delicadeza de cada história que enxergamos a trama maior que a vida oferece; isso porque é na soma das sutilezas que mães fortes e guerreiras têm de enfrentar um parto prematuro, enquanto seus bebês lutam ao ficarem internados nas UTIs neonatais.

A história da esteticista Rosineide da Conceição Araújo, de 37 anos, pode se desdobrar em um livro de ficção. Ela descobriu que estava grávida de sua segunda filha no final de outubro de 2016. Mas logo a alegria deu lugar à preocupação: já no primeiro mês a mãe passava muito mal: ela foi diagnosticada com hipertensão gestacional e isso provocava sofrimento para seu bebê. A partir daí e com uma gravidez de alto risco, ela teve de buscar acompanhamento médico todos os meses para a evolução desse problema.

Quando chegou em 10 de maio de 2017, no início do sexto mês de gravidez, um exame identificou que o bebê estava em sofrimento e a mãe deu entrada no Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL), no Fonseca, em Niterói.

O monitoramento feito pela equipe médica e de enfermeiros da unidade, considerada uma maternidade de referência no estado em gravidez de alto risco - garantiu que tudo ainda estava bem com a criança até o limite possível.

Mas no dia 15 de maio de 2017, Rosineide teve de interromper a gravidez para evitar o sofrimento de sua filha. “Quando temos um problema que exige a interrupção da gravidez antes do previsto, não chegamos à maternidade comemorando; mas sim tensas, com medo”.

Rosineide conta que foi um parto difícil. “Minha filha foi diretamente para a UTI Neonatal e tudo ficou cinza”, conta a mãe que, apesar de tudo, não perdeu a esperança. “Existe um tempo determinado para todas as coisas e nunca perdi a fé”, afirma.

Alice nasceu com apenas 890 gramas. “Minha filha foi entubada”, lembra a mãe que conta que a filha ficou por longos seis meses internada. “Foi aí que aprendi que o tempo de Deus nada tem a ver com os dias e horas que regem nossas vidas, mas sim com o momento que vivemos, com as emoções que sentimos, com a batalha que enfrentamos, e que temos que vivenciar cada um deles da melhor forma possível, aprender e crescer”.

Mas foi em julho de 2017 que a situação se complicou. A criança teve de fazer um exame de broncoscopia, sendo identificado um edema na glote. “Cada semana eu me especializava mais nas doenças neonatais. “Chegava em casa e ia buscar mais informações no Google”. Além disso, o bebê passou por uma traqueostomia e sofreu duas paradas cardíacas.

“Se você não tem fé, não aguenta”, explica a mãe que não esmoreceu. Rosineide visitava a filha todos os dias. Saía de Santa Luzia, em São Gonçalo, diariamente às 7 horas da manhã e ficava até bem tarde na UTI Neonatal do hospital. “Neste período, conheci todos no Hospital Azevedo Lima e, com certeza, posso afirmar que fui muito bem acolhida por toda a equipe”.

Tempo de viver

A alta hospitalar só veio no dia 17 de novembro. “Entrei em choque naquele dia porque tive receio de não dar conta. Meu bebê já estava com 2 kg e 800 gramas e necessitava ainda de cuidados especiais”.

Para Rosineide, a ajuda da equipe de enfermeiros e médicos Azevedo Lima foi fundamental nesse processo. “Os médicos e toda a equipe de enfermagem abraçaram a minha causa e em nenhum momento me senti desamparada”.

Hoje, Alice está com dois anos e totalmente recuperada. Para a mãe, tudo pelo qual elas passaram valeu a pena.

“O meu esforço e minha dor se transformaram em alegria de ver minha filha feliz. Hoje, Alice é bem levada e brincalhona. Uma guerreira”, comemora.

Mãe e filha foram visitar a UTI Neonatal da unidade, na última segunda-feira (08/07), e toda a equipe relembrou e se emocionou com a história. Segundo a coordenadora de enfermagem da UTI Neonatal, Patrícia Azevedo, “a unidade tem sempre um grande volume de pacientes prematuros e graves que permanecem longos períodos internados, o que acaba por aproximar a família do nosso cotidiano. Temos boas lembranças da Alice e da Rosineide e é bom saber que o nosso cuidado teve um desfecho tão bonito e feliz”.

A coordenadora médica do setor, Dra. Cristine Delgado, lembra que “foram muitos os desafios vencidos e conquistados, sempre com o envolvimento de toda a equipe e da mãe Rosineide. É um orgulho para nós vivenciar esse momento tão caro e presenciar a felicidade estampada no rosto da Rosineide e da pequena Alice”.
 

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