Fechar rede
Siga-nos
Governo do Estado do Rio de Janeiro
Menu
Home Busca Menu Redes
Cuide da sua mente
15/05/2017 Fazer o bem faz mesmo bem

Fazer o bem faz bem. A frase pode parecer meio batida, mas é, segundo quem faz trabalho voluntário, uma verdade inquestionável. “O trabalho voluntário é uma semente diária e, sabe, vira vício”, afirma Karina Rocha, assistente de diretoria de 33 anos que desde 2004 se dedica ao voluntariado. “Concordo. Não tem preço ver o sorriso do beneficiado. Só de falar me emociono. Essas imagens ficam guardadas na mente e no coração”, completa Daniela Rebelo, designer de interiores de 43 anos que já fez de tudo um pouco para ajudar outras pessoas.

Fazer o bem faz mesmo bem

“Saber que uma pequena atitude pode mudar a vida de uma pessoa é uma sensação única. Um exemplo, saber que você pode usar a sua força bruta para poder levantar uma pessoa que não pode andar é muito gratificante”, comenta Gustavo Henrique Fontes dos Santos, 36 anos, que faz trabalho voluntário desde 2016. “Sempre tive essa motivação. Sempre gostei de ajudar o próximo e saber que eu posso fazer a diferença na vida do outro”, completa ele.

Além do bem

Karina, Daniela e Gustavo, felizmente, não são exceções. Segundo o relatório “Além do Bem – Um estudo sobre voluntariado e engajamento”, feito em parceria pela Santo Caos Consultoria, o Bank of America Merrill Lynch e pelo Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) no Brasil, 18% da população brasileira pratica voluntariado. Segundo o documento, 58% dos voluntários no Brasil são mulheres e a região que se destaca com o maior número de voluntários é o Sudeste.

Além de mostrar as principais motivações de quem faz boas ações, o estudo também abrange as percepções de ex-voluntários e não voluntários. O objetivo é reunir indicadores para engajar novos e antigos benfeitores. Afinal, conforme Jean Soldatelli, sócio-diretor da Santo Caos, disse ao portal da Organização das Nações Unidas (ONU), o brasileiro não voluntário ainda encara o voluntariado como doação e não como uma troca.

De acordo com Jean, dois terços dos não voluntários do estudo não o são porque acham que é muito esforço, demanda muita coisa com pouca retribuição. A intenção é, com o estudo, mostrar que Karina, Daniela e Gustavo estão certos, que fazer o bem faz mesmo bem, que, como diz o sócio-diretor da Santo Caos, o voluntariado traz a oportunidade de desenvolvimento pessoal e de conhecer novas realidades.

Ajudar é fácil

“Bato na tecla de que é simples ajudar. Muita gente acha que o trabalho voluntário tem que ser, necessariamente, uma coisa grande, mas não, há coisas fáceis que não dão trabalho. Uma pequena ação gera um movimento, tem reflexos e vai se expandindo”, garante Karina. A primeira experiência dela como voluntária foi no fim de 2004, após o tsunami que deixou 230 mil vítimas no Sudeste Asiático.

“Aqui no Rio, o batalhão da Polícia Militar do Leblon estava recolhendo doação. Eu estava de férias, comecei a recolher donativos e terminei passando o mês de janeiro de 2005 inteiro dentro do batalhão arrumando as doações”, conta, acrescentando que foi uma das experiências mais importantes que teve. “Percebi que as pessoas têm que agir mesmo que não façam ideia do resultado real que o que eles fizerem terá. O importante é iniciar esse movimento. O importante é fazer”, diz.

Mudanças de vida

Após esta experiência e todas as outras que acumulou e acumula até hoje, Karina diz que não consegue mais ficar parada diante da necessidade de alguém. “Hoje, eu vejo coisas na rua e não consigo não fazer nada”, comenta.

A vida de Gustavo também mudou. “O trabalho voluntário impactou tanto a minha vida que, hoje em dia, trabalho com o que amo”, diz, se referindo à mudança na atividade profissional. Antes do voluntariado ele trabalhava em um negócio da família, mas terminou se tornando coordenador de uma ONG, o Lar Maria de Lourdes.

“Eu conhecia a ONG há 16 anos, mas na época tinha outra vida, queria me divertir, tinha outra cabeça. Ano passado voltei a visitar a instituição, apadrinhei uma criança, como se fosse um filho, e isso mudou minha vida, fiquei vindo mais e mais e surgiu a oportunidade de trabalhar aqui. Larguei um trabalho que era muito confortável para mim e hoje eu sou realizado com o que eu faço. Eu consigo trabalhar sem olhar para o relógio”, relata.

Já Daniela, que, além de também já ter arrecadado e distribuído doações para moradores de rua, ajudou na montagem e organização de eventos, fez visitas a lares e asilos e campanha para doação de sangue e medula, também diz que não é a mesma desde que começou no voluntariado, em 2005. “Passei a reclamar menos da vida e descobri que posso ajudar a melhorar a vida de alguém”, resume.

Para ela, ser voluntário é “dar carinho, atenção e amor ao próximo sem esperar nada em troca”. “Voluntariado é o que faz sentido. É pensar que a minha situação atual não é reflexo do mundo, o que eu tenho, não só materialmente, nem todo mundo tem”, acrescenta Karina.

Mini Gentilezas

Fazer o bem faz mesmo bem

Foi com essa visão que surgiu o projeto Mini Gentileza, projeto da ONG Argilando, que promove campanhas de arrecadação de produtos de higiene pessoal que são distribuídos à pessoas em situação de rua. Os projetos que trabalham com pessoas em situação de rua encaminham grande parte de seus recursos para alimentação, vestuário e cobertores, o Mini Gentilezas pretende, então, preencher a lacuna dos produtos de higiene, sem que as iniciativas que já são feitas precisem investir seus recursos nessa categoria.

Para isso, o projeto arrecada miniaturas de produtos de higiene, geralmente oferecidas por hotéis e aviões. Em 1 ano – o aniversário foi comemorado no dia 12 de maio – o Mini Gentilezas já chegou a 40 cidades e distribuiu – número fechado em março – 216 mil itens. Mas o projeto, na verdade, começou de forma despretensiosa.

Lembra que Karina disse que uma pequena ação gera um movimento, tem reflexos e vai se expandindo? Foi exatamente isso. O Mini Gentilezas começou com um outro projeto da Argilando, o 365 dias para agir, que consiste na construção de um calendário de um ano com ações de voluntariado.

A pessoa passa no Argilando, escolhe um dia e uma ação. Foi o que Karina fez. Ela pensou em arrecadar miniaturas de produtos de higiene e apresentou a ideia para o amigo Israel Mesquita, propondo que ele fizesse a arte. “A ideia era divulgar para os amigos, mas ganhou tal proporção que o Mini Gentilezas virou um novo projeto”, conta.

Clique aqui para saber mais sobre o Mini Gentilezas.

Acesse aqui o relatório “Além do Bem – Um estudo sobre voluntariado e engajamento”.

continue lendo
Telefones úteis