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Todo mundo já ouviu falar de hepatite, mas a verdade é que poucas pessoas conhecem os sintomas e as sequelas causadas pela doença. O assunto é realmente confuso, como afirma a coordenadora do Programa de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Clarice Gdalevici, que nessa matéria vai ajudar a esclarecer as definições de cada uma. A começar pelo próprio termo hepatite que, segundo ela, trata-se de uma palavra genérica para designar uma inflamação do fígado aguda ou crônica.
A diferenciação entre letras – A, B, C, D ou E – veio para discriminar os cinco tipos de vírus causadores, sendo que a B é considerada um exemplo de DST pelo caráter da principal via de transmissão, a sexual, seguida da vertical (de mãe para filho, no parto ou na amamentação). Mas a contaminação também se dá pelo contato com o sangue e pela troca de fluidos corporais. A situação se agrava ainda mais devido à falta de informação, como explica Clarice:
- A maioria das pessoas não sabe que as hepatites também podem se enquadrar na categoria das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Em uma relação sexual, é 100 vezes mais fácil contrair uma hepatite B do que a Aids, por exemplo –, destaca.
Segundo ela, é preciso estar atento a todas as formas de relação sexual em que possa haver troca de fluidos, como sexo oral, anal e vaginal, precavendo-se sempre com preservativos masculinos ou femininos.
Há também disponível nos postos de saúde a vacina para hepatite B, que entrou para o calendário vacinal no Brasil em 1996, passando a ser incluída no protocolo básico das maternidades já no ato do nascimento. O bebê recebe a primeira dose logo após o parto. Essa imunização nas primeiras horas garante uma proteção de 85% contra a doença, mas são necessárias ao todo três doses para garantir uma proteção mais eficaz.
As doses precisam ser administradas com intervalos de 30 dias da primeira para a segunda e de 180 dias da primeira para a terceira dose. Elas são aplicadas via muscular, na perna da criança, e não têm efeitos colaterais. E, vale ressaltar, não são só os bebês que têm direito à imunização.
- Quem não tomou a vacina na infância e tem até 24 anos de idade, pode procurar qualquer posto de saúde e solicitar a aplicação das doses. Como ela só entrou no calendário a partir de 1996, apenas adolescentes com até 15 anos estão imunizados – esclarece a coordenadora, acrescentando que a intenção do Ministério da Saúde é ampliar cada vez mais essa cobertura.
Pessoas que se enquadrem em grupos de risco como manicures, bombeiros, policiais, podólogos, usuários de drogas, tatuadores e profissionais do sexo, também podem solicitar a vacina. Basta procurar as unidades de saúde informando que estão dentro de qualquer um desses perfis.
Assim como a B, a hepatite C também pode ser transmitida pelo sexo e de mãe para filho. No entanto, a forma de contaminação mais frequente é a via parenteral, quando o vírus é inoculado através da pele e mucosas por meio de materiais cortantes com sangue.
- A hepatite C na forma crônica pode evoluir até uma doença grave do fígado, a cirrose, e também é causa de aparecimento de tumor maligno no mesmo órgão (o hepatocarcinoma). No mundo todo, a hepatite C é a maior causa de indicação de transplante de fígado -, alerta Clarice.
Para detectar se a pessoa já teve contato com as hepatites B e C, é necessário fazer os testes específicos através de exame de sangue, que pode ser solicitado pelo médico em qualquer consulta de rotina.
A prevenção desses tipos de hepatite pode se dar de diversas formas: usar preservativo em qualquer relação sexual, não compartilhar objetos que possam conter sangue, como lâminas de barbear, alicates de unha, escovas de dente, canudos, seringas e agulhas. Em casos de tatuagens ou piercing, observar se os instrumentos são descartáveis e esterilizados em autoclave a 121ºC por 20 minutos, estufa ou flambagem a 170 ºC por 2 horas. Em transfusões de sangue, assegurar que o procedimento seja criterioso quanto à origem do produto e se são realizados os testes sorológicos exigidos regularmente.
A hepatite D é a que tem menor incidência por necessitar do vírus B na célula para se multiplicar no organismo, portanto ela é restrita aos portadores da hepatite B. A transmissão também se dá pela via sexual, por fluidos corporais e pelo contato com sangue contaminado pelos meios parenteral e percutâneo (através da pele). Estudos mostram que há maior prevalência do tipo D na América do Sul e, no Brasil, na região amazônica.
Populares - A hepatite mais conhecida popularmente é a A que, juntamente à E, possui transmissão do tipo oral-fecal, ou seja, pelo contato através da água (inclusive, água do mar) e/ou alimentos contaminados. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença autolimitada (evolui para a cura espontaneamente) e de caráter benigno. O formato mais grave, que leva a uma insuficiência hepática aguda, atinge menos de 1% dos casos, sendo esse percentual maior em pacientes com mais de 65 anos.
- O número de casos de hepatite A vem caindo nos últimos anos concomitantemente ao desenvolvimento das cidades, que vão ganhando mais infraestrutura de saneamento básico, entre outras questões. Como a população mais jovem está crescendo sem ter entrado em contato com o vírus nos primeiros anos de vida, ficando suscetível à doença, o Ministério da Saúde está estudando a necessidade de vacina para esse vírus em especial – explica a coordenadora.
Já a hepatite E é bastante comum em países pouco saneados, como os da Ásia e da África. Ela também é autolimitada e pode apresentar formas clínicas graves, principalmente em mulheres grávidas. No Brasil, a partir de 2007, foram notificados apenas dez casos da doença.
Prevenção
1. Sexo Seguro. Usar preservativo em qualquer tipo de relação sexual, seja vaginal, anal ou oral;
2. Não dividir objetos pessoais que possam ter contato com sangue, como escova de dentes, alicate de unha, seringas, agulhas, etc;
3. Em casos de transfusão de sangue, certificar-se da qualidade e proveniência dos produtos;
4. Antes de fazer tatuagens e piercings, assegurar-se da esterilização dos instrumentos: as agulhas devem ser descartáveis, o tatuador deve usar luvas e a tinta usada em uma pessoa não pode ser reaproveitada em outra;
5. As esterilizações de objetos de manicure, tatuagem e piercing devem ser feitas em autoclave a 121ºC por 20 minutos, estufa ou flambagem a 170 ºC por 2 horas;
6. Lavar bem os alimentos, deixando os alimentos crus, como frutas e verduras, de preferência, submersos em solução clorada ou hipoclorito de sódio por 30 minutos;
7. Higienizar sempre as mãos com água e sabão, principalmente após usar o banheiro;
8. Não ingerir bebidas enlatadas direto na lata, que pode ser manuseada por alguém que esteja infectado;
9. Ao comer fora, se certificar sobre a origem dos alimentos e de que o estabelecimento esteja de acordo com as normas da Agência de Vigilância Sanitária;
10. Fazer exames de sangue regulares;
11. Para evitar a hepatite B, vacinar-se em qualquer posto de saúde. |