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Três médicos dedicados a trazer a vida ao mundo 12/04/2017 Três médicos dedicados a trazer a vida ao mundo No Dia do Obstetra, uma homenagem da SES àqueles que fazem parte do álbum de fotografia das famílias

Sexta-feira, início de tarde, mais um dia com a rotina da emergência movimentada e a realização média diária de 15 partos no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti. Aproveitamos um intervalo entre o atendimento e reunimos três dos obstetras responsáveis pelo plantão de 24 horas da unidade para uma conversa rápida sobre as escolhas, os desafios, os medos e as alegrias de quem escolheu como profissão trazer gente ao mundo.

Quase 100 anos dedicados à medicina é o resultado a que se chega ao somar a experiência dos três profissionais, de gerações diferentes e que trabalham em equipe numa troca de conhecimento constante para atender os casos complexos que chegam à unidade. Os três estão no HMulher desde a fundação do hospital, em 2010 e as histórias que eles contam são permeadas por humor, drama, mas acima de tudo alegria.

Hortência Vieira, 66 anos, 38 de profissão – Quando ingressou na faculdade de medicina, o objetivo da jovem Hortência era fazer cirurgia geral e ao longo do curso, a médica percebeu que o caminho seria outro. A obstetrícia ganhou espaço rápido e foi encarada com tanto afinco que pouco depois de formada, Hortência se tornou auxiliar de ensino e anos depois lecionou em uma faculdade do Rio de Janeiro.

Quase quarenta anos depois de sair da faculdade, a médica fala da troca diária com os recém-formados.

- Medicina não é receita de bolo, que você coloca ingredientes e o resultado é sempre igual. O corpo humano reage de maneiras diferentes e sempre tem uma técnica nova, um medicamento diferente, um procedimento inovador. A troca com nossos colegas mais jovens é importante e nos ajuda a crescer – disse.

Entre as histórias da profissão, Hortência se recorda de um episódio engraçado, num plantão calmo, começou uma correria, uma grávida havia chegado desmaiada. A equipe se dirigiu rapidamente para atendê-la na emergência. Ao acordar, a gestante foi perguntada pela médica sobre o que havia acontecido e disse que a última coisa da qual lembrava era de ter visto uma barata em casa. O susto a fez desmaiar, portanto, não se tratava de uma emergência e a moça voltou pra casa sem dar à luz naquele momento.

Os anos à frente das emergências obstétricas fizeram com que Hortência apurasse os ouvidos e a paciência.

- Se você ouve com atenção, o paciente diz o que tem. É preciso manter os ouvidos bem abertos, olhar no olho e ter interesse pelo histórico de quem nos procura – finalizou Hortência.

Raimundo Machado, 75 anos, 50 de profissão – No segundo ano de medicina, Raimundo começou a fazer partos e nunca mais parou. Há doze anos ele se aposentou, mas nos três meses em que ficou em casa quase entrou em depressão e desistiu. Voltou aos plantões em duas maternidades de onde não pretende sair nem tão cedo.

Machado, como é conhecido pelos colegas, é o que se pode chamar de um workaholic assumido e já chegou a cumprir mais de 100 horas semanais de trabalho. Apesar de seus 50 anos de profissão, não tem um pingo de vaidade e é categórico ao dizer que aprende o tempo inteiro com os colegas.

- O médico que acha que sabe tudo está morto, os jovens, em especial, nos trazem muitas informações novas e essa troca é diária faz toda a diferença – contou o veterano.

Quando olha para trás, Machado percebe que fez a escolha certa. Ele nunca pensou em exercer outra profissão. A medicina o escolheu e esse casamento está completando bodas de ouro.

Aline Ramos, 32 anos, 8 anos de profissão – Filha de professores, Aline sempre quis ser médica e na infância os pais achavam que era apenas um sonho de menina. Os anos passaram, o vestibular chegou e ela ingressou na faculdade. No início, Aline queria ser pediatra pela paixão que sempre teve por crianças, mas mudou de ideia assim que começou a cursar as primeiras matérias ligadas à obstetrícia.

No HMulher, a médica já realizou os partos de mãe e filha no mesmo dia e de vez em quando atende pacientes estrangeiros com dificuldades de comunicação.

- Acabamos de atender uma paciente chinesa, cujo acompanhante também era chinês. Eles não falavam inglês e muito menos português, então, a comunicação durante o parto foi bem complicada, mas no final deu tudo certo – comemorou.

Sobre a possibilidade de ter colegas experientes no dia a dia, Aline define em uma palavra: segurança. 

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