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Casos de amputações que poderiam ter um final trágico vêm ganhando um novo desfecho graças ao programa SOS Reimplante, que funciona desde o final de 2008 no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. O sucesso da iniciativa se reflete nos números: dos 65 reimplantes realizados até hoje, 48 - ou 74% - foram bem-sucedidos, permitindo que os pacientes voltem a ter uma vida normal. É o que explica o coordenador do programa SOS Reimplante, o microcirurgião João Recalde.
Como funciona o SOS Reimplante?
O SOS Reimplante é pioneiro no país, baseado em programas semelhantes de grandes centros do mundo. Convocamos duas equipes, cada uma com três cirurgiões, um anestesista e um instrumentador, que se revezam de plantão semanalmente e recebem por procedimento realizado. Assim que é contatado, o Adão Pereira Nunes aciona a equipe de plantão, que se desloca imediatamente para o hospital para que já esteja de prontidão quando o acidentado chegar.
Quais os cuidados para que o reimplante seja bem sucedido?
O paciente deve ser encaminhado o mais rápido possível para que faça os exames necessários, seja anestesiado e entre na sala de cirurgia. O membro amputado precisa ser conservado a 4ºC de temperatura e a durabilidade máxima é de seis horas, em média. Em 60% dos casos bem-sucedidos é necessária segunda operação, para religar os nervos, e em reimplante de braço ou perna o índice sobe para 100%.
Qual foi o caso mais marcante que já atendeu?
O primeiro que atendemos, em dezembro de 2008. A menina Ana Catarina Santos teve o braço amputado aos dez anos, enquanto tentava tirar roupas de uma máquina de lavar industrial em funcionamento. Um mês depois, recebemos um caso que impressionou pela semelhança: o menino Lucas Soares, com três anos na época, também deu entrada com o braço amputado, após acidente com máquina de lavar. Só que o caso dele foi mais complexo, pois precisamos enxertar um pedaço de osso que recuperamos no local do acidente e, portanto, não tinha vascularização. Felizmente, ambos os casos foram bem-sucedidos.
Em quanto tempo o paciente pode voltar a trabalhar?
O pós-operatório de amputação de braço e de perna é semelhante ao de um transplante: o paciente fica de três a quatro semanas no CTI sob hidratação venosa e tomando antibióticos. Em casos mais simples, o paciente vai direto para a enfermaria, onde fica internado por uma semana, em média. Entre três e seis meses após a cirurgia, ele já pode retornar ao mercado de trabalho, dependendo da gravidade da lesão e da capacidade de cicatrização.
Em 2009 o senhor realizou um transplante de dedo do pé na mão. Em que circunstâncias o procedimento é indicado?
Quando não é possível fazer o reimplante em caso de amputação; por exemplo, se o dedo estiver muito esmagado, aconselho que seja feito o transplante de um dedo do pé na mão, já que o polegar responde por quase metade da função da mão e esta é a melhor maneira de devolver a sensibilidade do membro perdido. Além disso, o dedo do pé é reconstruído e continua lá, só que de um tamanho reduzido.
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