a) As serpentes
peçonhentas possuem dentes inoculadores de veneno localizados na região anterior
do maxilar superior. Nas Micrurus
(corais), essas presas são fixas e pequenas, podendo passar despercebidas.
b) Presença de foseta loreal - com exceção das corais, as serpentes peçonhentas
têm entre a narina e o olho um orifício termo receptor, denominado fosseta
loreal, que serve para a cobra perceber modificações de temperatura a sua
frente. Vista em posição frontal este animal apresentará 4 orifícios na região
anterior da cabeça, o que justifica a denominação popular de "cobra de
quatro ventas".
c) As serpentes peçonhentas possuem cabeça triangular recoberta com escamas
pequenas e a parte superior do corpo é recoberta por escamas sem brilho, em
forma de quilha, isto é, como bico de barco ou casca de arroz.
d) As corais verdadeiras (Micrurus)
são a exceção as regras acima referidas, pois apresentam características externas
iguais às das serpentes não peçonhentas (são desprovidas de fosseta loreal,
apresentando cabeça arredondada recoberta com escamas grandes e coloração
viva e brilhante). De modo geral, toda serpente com padrão de coloração que
inclua anéis coloridos deve ser considerada perigosa.
e) As serpentes não peçonhentas têm geralmente hábitos diurnos, vivem em todos
os ambientes, particularmente próximos às coleções líquidas, têm coloração
viva, brilhante e escamas lisas. São popularmente conhecidas por "cobras
d´água", "cobra cipó", "cobra verde", dentre outras
numerosas denominações.
f) No local da picada de uma serpente peçonhenta encontra-se geralmente um
ou dois ferimentos puntiformes, de modo diferente do que ocorre com as não-peçonhentas,
que costumam provocar vários ferimentos, também, puntiformes, delicados e
enfileirados. Essa característica, entretanto, é muito variável e nem sempre
útil para o diagnóstico.