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HISTÓRICO:
A denominação Cólera
remonta aos primeiros séculos da humanidade e sempre
esteve relacionada à Índia. Na história
das grandes navegações associava-se a lugares
considerados exóticos, sendo, na época, chamada
de doença que "provocava vômitos, sede
de água, estômago ressecado, cãibras,
olhos turvos..." A partir do século XIX, começou
a se disseminar para áreas até então
não atingidas, chegando, em especial, à Europa.
Sua forma de transmissão é tão importante
e se dissipa com tanta facilidade que já existiram
sete pandemias (pandemia é a epidemia simultânea
da doença em muitos países ou continentes)
.
A propagação da Cólera
em nível mundial deve-se principalmente ao fato de
que seu agente desenvolve na maioria das vezes casos leves
ou assintomáticos, não permitindo assim a
identificação dos verdadeiros portadores,
que continuam transmitindo a doença. Além
disso, o grande deslocamento das pessoas por turismo ou
comércio em transportes cada vez mais rápidos
aumenta a veiculação da Cólera. O baixo
nível sócio-econômico e condições
precárias de saneamento básico em áreas
extensas e, em particular a falta de água potável,
podem também explicar a sua alta propagação.
No Brasil, os primeiros casos ocorreram
na chamada terceira pandemia em 1854, iniciados na cidade
do Rio de Janeiro. Em todas as pandemias que se seguiram,
o Brasil apresentou casos atingindo a população
da Região Norte até o Rio Grande do Sul. Atualmente
nos encontramos na sétima pandemia iniciada em 1961
e, introduzida na América Latina no início
da década de 90 pelo Peru, sendo transportada até
o Brasil, alastrando-se progressivamente pelo Rio Solimões/Amazonas.
Os primeiros casos foram nas cidades de Benjamin Constant
e Tabatinga, notificados no Amazonas.
Em 1992, o Estado do Rio de Janeiro registra
o primeiro caso da doença. No ano de 1993 foram notificados
268 casos caracterizando a presença de uma epidemia
no Estado, que se prolongou até o ano de 1994 com
78 casos. Embora desde este período não tenham
sido registrados mais casos da doença no Rio de Janeiro,
a Cólera continua endêmica em alguns estados
da Região Nordeste.
CONCEITO
Uma doença diarréica aguda que pode determinar
a perda de vários litros de água e sais minerais
em poucas horas, trazendo como conseqüência uma
grave desidratação, podendo levar à
morte caso as perdas não sejam prontamente restabelecidas.
AGENTE CAUSADOR
Uma bactéria denominada Vibrio cholerae que
sobrevive bem no ambiente marinho com temperaturas entre
10º e 32º C, em áreas costeiras. Tende
a contaminar ostras e mexilhões e é de difícil
sobrevivência em alto mar. Seu tempo de sobrevivência
é de 10 a 13 dias em temperatura ambiente e de 60
dias em água do mar. Na água doce permanece
19 dias e em forma de gelo de quatro a cinco semanas.
MODO DE TRANSMISSÃO
A transmissão se dá pela ingestão de
água ou gelo contaminados com fezes ou vômitos
de doentes, assim como pelas fezes das pessoas portadoras
do vibrião, mas que não apresentam sintomas
(assintomáticos). Dá-se também pela
ingestão de alimentos que entrem em contato com água
contaminada, por mãos contaminadas de doentes ou
portadores e de quem manipula os produtos alimentares. As
moscas podem ser vetores importantes da doença. Os
peixes, frutos do mar e animais de água doce, crus
ou mal cozidos são responsáveis por surtos
isolados em vários países. A transmissão
pessoa a pessoa também é importante, em especial
nas áreas onde há escassez de água.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
É o tempo transcorrido entre a contaminação
e o aparecimento dos sintomas, que varia de algumas horas
a cinco dias. Enquanto houver eliminação do
vibrião nas fezes pode haver transmissão da
doença e este período é, normalmente,
de 20 dias. Lembramos que os indivíduos assintomáticos
também liberam vibrião nas suas fezes sendo
potencialmente transmissores da Cólera.
ASPECTOS CLÍNICOS
A diarréia e vômitos são as manifestações
mais freqüentes. Nos casos graves, o início
é súbito com diarréia aquosa, com inúmeras
evacuações diárias. As fezes têm
aparência amarelo-esverdeada, sem pus, muco ou sangue.
Às vezes pode ter odor de peixe e aspecto típico
de água de arroz. Nos casos graves a diarréia
e os vômitos acarretam uma rápida desidratação,
com manifestações de sede, perda de peso intensa,
prostração, olhos fundos com olhar parado
e vago, voz sumidiça e cãibras.
DIAGNÓSTICO DA DOENÇA
O diagnóstico laboratorial da cólera consiste
no isolamento e na identificação da bactéria
(vibrião) em amostras de fezes coletadas de doentes
ou portadores assintomáticos. O êxito no isolamento
depende de uma coleta adequada, antes da administração
de antibióticos ao paciente.
TRATAMENTO
As formas leves e moderadas da doença devem ser tratadas
com terapia de reidratação oral e a abordagem
segue igual a das diarréias agudas em geral - veja
em "Diarréia Aguda"
o item "Tratamento".
Nas formas graves deve ser instituída a hidratação
venosa e a antibioticoterapia.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO
a) COLETIVAS:
- Garantir boa qualidade de água para consumo humano.
Veja em "Material Educativo"
o item "A Água que
Bebemos - Orientações Importantes para Obtenção
de Água Potável".
- Oferecer um sistema de esgoto sanitário
adequado. Onde não existir esgotamento sanitário,
enterrar as fezes longe das fontes de água, poços
e mananciais. Veja em "Material
Educativo" o item
"Esgotamento Sanitário".
- Manter rigorosa coleta de lixo, manter recipientes tampados
e afastados dos locais de abastecimento de água e
evitar o acúmulo de lixo, pois isso facilita a presença
e proliferação de vetores (moscas, ratos,
baratas etc.).
b) INDIVIDUAIS:
- Incentivo ao aleitamento materno.
- Manter higiene pessoal.
- Cozinhar bem os alimentos e consumi-los imediatamente.
- Armazenar cuidadosamente os alimentos cozidos.
- Reaquecer bem os alimentos cozidos.
- Evitar o contato entre alimentos crus e cozidos.
- Lavar as mãos constantemente.
- Manter limpas todas as superfícies da cozinha.
- Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores
e outros animais.
Veja em "Material
Educativo" o item "Regras
de Ouro da OMS para a Preparação Higiênica
dos Alimentos".
OBSERVAÇÃO
- A Cólera é uma doença de notificação
compulsória e, portanto todo caso suspeito deve ser
investigado por profissionais de Saúde Pública.
Veja em"Manuais Técnicos"
e em seguida "Cólera".
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EM
CASO DE DIARRÉIA PROCURE ASSISTÊNCIA
MÉDICA
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